Glossário de Segurança do Trabalho

Entenda as siglas e termos que mais confundem donos de empresa e profissionais de RH.

A

ASO Atestado de Saúde Ocupacional

Documento emitido pelo médico do trabalho após avaliação clínica e exames complementares, que declara o trabalhador apto, apto com restrições ou inapto para a função. É obrigatório em 5 momentos: admissão, periódico, retorno ao trabalho, mudança de função e demissão. Regulamentado pela NR-7. O ASO é transmitido ao eSocial via evento S-2220.

AET Análise Ergonômica do Trabalho

Estudo técnico das condições ergonômicas de postos de trabalho, exigido pela NR-17. Avalia aspectos físicos (postura, força, repetitividade), cognitivos e organizacionais que podem causar doenças ocupacionais como LER/DORT. Empresas com atividades com risco ergonômico significativo devem incluir o tema no PGR.

C

CAT Comunicação de Acidente de Trabalho

Formulário obrigatório que deve ser enviado ao INSS até o 1º dia útil após um acidente de trabalho — ou imediatamente em caso de óbito. Acidentes de trajeto também exigem CAT. No eSocial, a CAT é o evento S-2210. A não comunicação no prazo gera multa de R$ 1.934,05 a R$ 193.404,60 por acidente.

CIPA Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio

Órgão interno formado por representantes do empregador e dos empregados, obrigatório para empresas com número de funcionários acima do previsto no Quadro I da NR-5 (varia por setor). Em 2022, passou a incluir também a prevenção de assédio moral e sexual (CIPA-A). Tem mandato de 1 ano e eleições reguladas pela norma.

E

eSocial SST Sistema de Escrituração Digital — módulo SST

Módulo do eSocial que concentra as obrigações de Saúde e Segurança do Trabalho. Obrigatório para todas as empresas com empregados CLT. Os três eventos principais são: S-2210 (CAT), S-2220 (monitoramento da saúde — ASO) e S-2240 (condições ambientais — riscos). A ausência de qualquer evento gera multas automáticas.

EPC Equipamento de Proteção Coletiva

Dispositivo ou sistema instalado no ambiente de trabalho para proteger todos os trabalhadores de uma área, independentemente de ação individual. Exemplos: exaustores, enclausuramentos acústicos, grades de proteção em máquinas, sistemas de ventilação. O PGR deve priorizar EPCs antes de EPIs na hierarquia de controles.

EPI Equipamento de Proteção Individual

Dispositivo ou produto de uso individual destinado à proteção do trabalhador contra riscos específicos do trabalho, regulamentado pela NR-6. Deve ter Certificado de Aprovação (CA) do MTE. A empresa é obrigada a fornecer, higienizar, trocar e treinar o trabalhador no uso correto. O simples fornecimento sem treinamento não isenta de responsabilidade.

F

FAP Fator Acidentário de Prevenção

Multiplicador aplicado à alíquota do RAT (Risco Ambiental do Trabalho) com base no histórico de acidentes e doenças ocupacionais da empresa. Varia de 0,5 a 2,0. Uma empresa com alta sinistralidade pode pagar até o dobro da alíquota RAT — impactando diretamente o custo da folha. Empresas com bom histórico de SST pagam menos.

G

GHO Grupo Homogêneo de Exposição

Conjunto de trabalhadores submetidos às mesmas condições de exposição a agentes de risco, com perfil de exposição similar. É a unidade básica de avaliação do PGR e do S-2240. Em vez de avaliar funcionário por funcionário, o PGR avalia o GHO — o que torna o processo mais eficiente. Cada GHO deve ter suas medições de agentes e suas medidas de controle documentadas.

GRO Gerenciamento de Riscos Ocupacionais

Processo estruturado que envolve identificação de perigos, avaliação de riscos, implementação de medidas de controle e monitoramento contínuo. É a metodologia exigida pela NR-1 (2022) e é a base conceitual do PGR. O GRO substitui a abordagem anterior do PPRA, que era mais focada em medições pontuais.

L

LGPD Lei Geral de Proteção de Dados

Lei nº 13.709/2018 que regulamenta o tratamento de dados pessoais no Brasil. Na área de SST, é duplamente relevante: dados de saúde dos trabalhadores (ASO, PCMSO, histórico de doenças) são classificados como dados sensíveis e exigem proteção reforçada. A empresa que terceiriza SST também é controladora dos dados médicos dos seus funcionários.

LER / DORT Lesão por Esforço Repetitivo / Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho

Conjunto de doenças ocupacionais que afetam músculos, tendões e nervos, causadas por movimentos repetitivos, postura inadequada ou esforço excessivo no trabalho. São as doenças ocupacionais mais comuns no Brasil e geram alto passivo trabalhista. O PCMSO deve incluir monitoramento para trabalhadores expostos a riscos ergonômicos.

LTCAT Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho

Documento técnico que comprova, para fins previdenciários, a existência ou não de exposição permanente a agentes nocivos (físicos, químicos ou biológicos) que justifiquem aposentadoria especial. Deve ser assinado por engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho. É a base para emissão correta do PPP.

N

NR Norma Regulamentadora

Conjunto de regulamentos técnicos obrigatórios, expedidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que estabelecem os requisitos mínimos de Saúde e Segurança do Trabalho para diferentes atividades e setores. Existem 38 NRs vigentes. O descumprimento sujeita a empresa à autuação do MTE e às multas previstas na CLT.

P

PCMSO Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional

Documento obrigatório (NR-7) que define os exames médicos obrigatórios para cada função, os exames complementares necessários com base nos riscos do PGR, e a periodicidade dos exames periódicos. Deve ser elaborado por médico do trabalho e ter vigência anual. O PCMSO é a base para todos os ASOs emitidos.

PGR Programa de Gerenciamento de Riscos

Substituiu o PPRA como principal documento de SST a partir de novembro de 2021 (NR-1). Obrigatório para toda empresa com pelo menos um empregado CLT. Contém o Inventário de Riscos (identificação e avaliação de todos os perigos) e o Plano de Ação (medidas de controle). Tem vigência bienal ou sempre que houver mudança nos processos.

PPP Perfil Profissiográfico Previdenciário

Documento histórico de cada trabalhador que consolida toda a trajetória de exposição a agentes nocivos ao longo do vínculo empregatício. É gerado com base no LTCAT e no PCMSO, e deve ser entregue ao trabalhador na rescisão do contrato. É indispensável para o INSS conceder aposentadoria especial. Com o eSocial, o PPP passou a ser gerado digitalmente.

PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais

Documento que antecedeu o PGR. Regulamentado pela NR-9, exigia a antecipação, reconhecimento e controle de riscos ambientais (físicos, químicos e biológicos). Foi substituído pelo PGR/GRO (NR-1) a partir de novembro de 2021, que ampliou o escopo para incluir também riscos ergonômicos e de acidentes.

R

RAT Risco Ambiental do Trabalho (antiga SAT)

Contribuição previdenciária patronal que financia benefícios por acidentes e doenças do trabalho. A alíquota varia de 1% a 3% sobre a folha salarial, conforme o grau de risco da atividade (CNAE). É multiplicada pelo FAP — empresas com bom histórico de SST pagam menos; com alto índice de acidentes, pagam até o dobro.

S

S-2210 Evento eSocial: Comunicação de Acidente de Trabalho

Evento digital do eSocial que substitui a CAT em papel. Deve ser enviado até o 1º dia útil após o acidente (ou imediatamente em caso de óbito). Registra data, hora, local, descrição do acidente e CID quando houver afastamento. Não substitui o registro no livro da CIPA nem a comunicação ao sindicato.

S-2220 Evento eSocial: Monitoramento da Saúde do Trabalhador

Evento do eSocial que registra cada ASO emitido. O ASO admissional deve ser transmitido antes do início das atividades. Os demais (periódico, retorno, demissional) devem ser enviados até o dia 15 do mês seguinte à emissão. Sem o S-2220, o INSS não reconhece o histórico de aptidão do trabalhador.

S-2240 Evento eSocial: Condições Ambientais do Trabalho

Evento do eSocial que registra os agentes nocivos a que cada trabalhador está exposto, por função e período. É a base para o PPP digital e para o reconhecimento de tempo especial pelo INSS. Deve ser enviado no início do PGR/LTCAT e atualizado sempre que houver mudança nas condições de trabalho. A ausência gera multa de R$ 402 a R$ 4.025 por trabalhador.

SESMT Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho

Equipe interna obrigatória para empresas com mais de 51 funcionários em atividades de grau de risco 3 ou 4 (NR-4). Composta por engenheiro de segurança, médico do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança e auxiliar de enfermagem, no dimensionamento definido no Quadro II da NR-4. Empresas abaixo do limiar podem terceirizar esses serviços.

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